sábado, 26 de fevereiro de 2011

A Felicidade é...

A felicidade é um copo de aguardente depositado sobre o balcão, à frente do alcoolatra, propiciando-lhe uma soberba satisfação, permitindo-lhe subjulgar nostalgia e fracasso. O homem pensa dominar o vício como a um prisioneiro, mas na verdade rende-se a ele como diante de um carcereiro. Dita-lhe incontaveis pedidos de indulgencias, acata variados sentenças, exibindo duas cabeças coladas ao mesmo pescoço. No entanto sóbrio o homem é quase um leão. No estado de embriagues predomina um disfarce de alce., e ambos encenam um jogo de caça e caçador, no qual parece inexistirem outras criaturas animais. O homem vive como um cético concentrado no seu vicio, feito namorado que avançou nas lições de sexo com a parceira e agora dispensa os cerimoniais de simples beijos. Quando penetra seu corpo, a felicidade é um estado de cio, de prova animal, seguida por segundos de expiação da alma, semelhante a uma sensaçao de orgasmo. Quando bate em retirada, o homem é um tronco de árvore recem-envolvido por um fustigante incendio, restando-lhe nada menos que uma vida rodeada por cinzas. Para não se transformar em louco, ele bate a mão sobre o balcão e clama ao garçom por uma nova dose de bebida.